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Educação Espírita

Angústia da Perfeição

ERMANCE DUFAUX1


P = Pode alguém, por um proceder impecável na vida atual, transpor todos os graus da escala do aperfeiçoamento e tornar-se Espírito puro, sem passar por outros graus intermédios?
R = Não, pois o que o homem julga perfeito longe está da perfeição. Há qualidades que lhe são desconhecidas e incompreensíveis. Poderá ser tão perfeito quanto o comporte a sua natureza terrena, mas isso não é a perfeição absoluta.


Questão 192, O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.


Alma querida nos ideais renovadores, é natural que sofras inquietação por nutrires objetivos transformadores. Ante a penúria de teus valores, declaras-te sem mérito para receber a ajuda Divina. Perante a extensão de tuas falhas, açoitas a consciência com lancinante sentimento de hipocrisia ao repetires os mesmos desvios dos quais já gostarias de não se permitir. Essa é a estrada da perfeição, não te martirizes.

Tudo isso é compreensível, parte integrante de quantos se candidatam aos serviços reeducativos de si próprios, portanto, não seja demasiadamente severo contigo.

Sem lástima e censura, perdoa-te e prossegue sempre.

Confia e trabalha cada vez mais.

Por mais causticantes as reações íntimas nos refolhos conscienciais, guarda-te na oração e na confiança e enriquece tua fé nas pequenas vitórias.

A angústia da melhora é impulso para promoção. O remédio salutar para amenizá-la é a aceitação incondicional de ti mesmo.

Aceitando-te humildemente como és e fazendo o melhor que possas vitalizar-te-ás com mais fortes apelos interiores para a continuidade do projeto de melhoria e corrigenda. Por outro lado, se te punes estarás assinando um decreto de desamor contra ti.

Afeiçoa-te com devotamento e sensatez aos exercícios que te são delegados pelas tarefas renovadoras do bem, aprimora-te em regime de vigilância e paciência.

Sem alimentar fantasias de saltos evolutivos, dá um passo atrás do outro.
Sem ansiar pela grandeza das estrelas, ama-te na condição de singelo prilampo que esforça por fazer luz na noite escura.

Faça as pazes com tuas imperfeições. Descubra tuas qualidades, acredite nelas e coloque-as a serviço de suas metas de crescimento, essa é a fórmula da verdadeira transformação.

O tempo concederá valor e experiência a teus esforços, ajustando teus propósitos aos limites de tuas possibilidades, libertando-te da angústia que provém dos excessos.

Caminha um dia após o outro na certeza de que Deus te espera sempre com irrestrito respeito pelas tuas mazelas, guardando o único direito de um Pai zeloso e bom que é a esperança de que amanhã sejas melhor que hoje, para tua própria felicidade.


1Extraído do livro Reforma íntima sem martírio, de Ermance Dufaux, Editora Dufaux, Belo Horizonte, 2006.

PORQUE OS ADULTOS SE ESQUECEM DE QUE JÁ FORAM CRIANÇAS?


J. Herculano Pires


Os dois problemas: o da educação no lar e o da educação na escola giram em torno de um mesmo eixo. Os pais são os professores no lar e os mestres são os pais na escola. Muito mais do que um fenômeno biológico, a paternidade e a maternidade constituem uma relação psíquica e portanto espiritual. O Espiritismo ensina e demonstra que os pais não geram o espírito dos filhos, mas apenas os seus corpos. A criança já nasce com acervo pessoal de suas conquistas no processo evolutivo. Ora, a tarefa dos pais, como a dos mestres, é ajudá-la a integrar-se, durante a presente existência, na posse desse acervo, e a enriquecê-lo ainda mais.
{showhide +params} Assim, para que a educação se desenvolva de maneira harmoniosa e eficiente é necessária a conjugação do lar com a escola, dos pais com os mestres. Não é muito fácil conseguir-se isso no mundo de hoje, mormente nas grandes cidades. Mas há um meio pelo qual se podem superar as dificuldades atuais. Se os pais e mestres se lembrarem que foram crianças, se procurarem manter essa lembrança em suas atividades no lar e na escola, a conjunção necessária se fará naturalmente.


Educação afetiva


Os adultos se esquecem facilmente de que foram crianças que se acham integrados no mundo diferente, o mundo da gente grande. Esse mundo dos adultos é geralmente feitos de ambições, temores, ódios e violências. É um mundo hostil, muitas vezes brutal. Os adultos se tornam criaturas práticas, objetivas, eficientes - o que vale dizer egoístas, secas, frias e insensíveis. Se fizessem algum esforço para vencer essa frieza mortal, lembrando-se um pouco da infância, voltariam a viver e seriam capazes de amor e ternura.

A Educação é um ato de amor, é a ajuda das pessoas grandes para que as crianças também possam crescer. Os adultos sem amor não podem educar. Pelo contrário, deseducam. Ás vezes a escola destrói a educação iniciada no lar, e às vezes é o lar que destrói a educação dada na escola. Se os pais não são insensíveis, a criança é infeliz, carente de amor. Se os mestres são estúpidos, a criança tem medo da escola. Mas o pior de tudo é a indiferença, a frieza. Pais e mestres que olham para as crianças com olhos de múmia, de rosto impassível, são carrascos executando vítimas inocentes. Queimam essas plantinhas tenras, que são as crianças, como um sol ardente crestando semeaduras no campo.

As crianças necessitam de afeto, de carinho, de atenção. A natureza humana é diferente da natureza animal. Não se pode nem se deve querer domesticar uma criança como se fosse um cachorrinho, domá-la como se fosse um potro. Cada criança é uma inteligência despertando para a vida, e mais do que isso é uma consciência que desabrocha. Essa inteligência e essa consciência precisam de aceitação e compreensão, pois do contrário se ressecam, tornam-se amargas, voltam-se para a rebeldia e a maldade. Os próprios animais não podem ser domesticados apenas com violência.

Educar é amar


O mundo das crianças é diferentes do mundo dos adultos. É um mundo de sonhos e aspirações nobres. Um mundo amoroso, cheio de ternura e ansiando por compreensão. Kardec escreveu que as crianças são espíritos que se apresentam no mundo com as vestes da inocência. Espírito maduros que se fazem pequeninos e tenros para poderem entrar no Reino do Céu. Voltam à fonte da vida, renovam-se nas águas lustrais da esperança, recomeçam a existência com grandes planos de trabalhos delineados no íntimos. São frágeis parecem puros porque precisam atrair amor da gente grande. Carecem de amor e imploram carinho.

As pesquisas pedagógicas entre as tribos selvagens revelam que as crianças tribais, ao contrário do que supunham alguns teóricos, não são tratados com brutalidade mas com reserva e carinho. Para o selvagem a criança é como um estrangeiro que chega à tribo, mas um estrangeiro que pode ser amigo. Antes de integrá-la na vida social eles a mantém em observação, procurando atraí-la com amor. Depois dos rituais de integração, os adolescentes continuam a ser encarados com ternura e tratados com carinho.

A finalidade dessas pesquisas é favorecer a descoberta da verdadeira natureza da educação. Nos povos civilizados a educação aparece muito complexa, revestida de numerosos artifícios técnicos e teóricos, perturbada por sofismas e sujeita a interesses múltiplos. Nos povos selvagens ela pode ser observada na fonte, está ainda pura e nua como a verdade. E o que as pesquisas revelam é que a educação, na sua verdadeira essência, é um ato de amor pelo qual as consciências maduras agem sobre as imaturas para elevá-la aos seu nível.
Educar é amar, porque a mecânica da educação é a ajuda, o amparo, o estimulo. A vara, o ponteiro, a palmatória, as descomposturas e os gritos pertencem à domesticação e não educação. A violência contra a criança é um estimulo negativo que desperta as suas reações inferiores, acorda a fera do passado na criaturinha vestida de inocência que Deus nos enviou. Só o amor educa, só a ternura faz as almas crescerem no bem.


O perigo do exemplo

O comportamento dos adultos, não só em relação às crianças mas também ao redor das crianças, tem sobre elas um poder maior do que geralmente pensamos. O exemplo é uma didática de vida. Por isso mesmo é perigo. Costumamos dizer que as crianças aprendem com facilidade as coisas más é dificilmente as boas. E é verdade. Mas a culpa é nossa e não das crianças. Nossos exercem maior influência sobre elas do que as nossas palavras. Nosso ensino oral é quase sempre falso, insincero. Ensinamos o que não fazemos e queremos que as crianças sigam as nossas palavras. Mas elas não podem fazer isso porque aprendem muito mais pela observação, pelo contágio social do que pelo nosso palavrório vazio.

Renouvier dizia que aprender é fazer e fazer é aprender. Nós mesmos, os adultos, só aprendemos realmente alguma coisa quando a fazemos. Na criança o aprendizado está em função do seu instinto de imitação. A menina imita a mãe ( e a professora), o menino imita o pai (e o professor). De nada vale a mãe e o pai, a professora e o professor ensinarem bom comportamento se não derem o exemplo do que ensinam. As palavras entram por um ouvido e saem pelo outro, mas o exemplo fica, o exemplo cala na alma infantil. Tagore, o poeta pedagogo da Índia , comparava a criança a uma árvore. Dizia que a criança se alimenta do solo social pelas raízes da espécie, mas também extrai da atmosfera social a clorofila do exemplo. O psiquismo infantil é como um fronte aberta no lar e na escola, haurindo avidamente as influências do ambiente.

Responsabilidade espiritual

Dois exemplos nos mostram, no passado e no presente, a responsabilidade espiritual do nosso comportamento no lar e na escola. O exemplo de Jesus, que exemplificou durante toda vida ensinou apenas durante três anos. E o exemplo de Kardec, que exemplificou até os cinqüenta e quatro anos e só ensinou durante doze anos. Só a partir de 1857, com a publicação de O Livro dos Espíritos, Kardec começou o verdadeiro ensino que trazia para a Terra. Antes disso foi professor e pedagogo, didata e cientista, dando mais em exemplo do que em teoria.
Outro grande exemplo é o de Pestalozzi, o mestre de Kardec, que só na velhice se voltou para a Pedagogia e se tornou o mestre do seu tempo. Pestalozzi sentiu que educar é amar e por isso se dedicou a educação com toda a força do seu amor. Tornou-se o paizinho dos seu alunos, como era ternamente chamado por eles. E se fez mendigo entre as crianças mendigas para arrancá-las da miséria moral. Não enriqueceu com a educação e sofreu as agruras da queda financeira. Mas sua vitória espiritual foi gloriosa. Também Jesus, para a curta visão dos ganhadores de dinheiro, foi um judeu fracassado que morreu na cruz, a morte mais infamante daquele tempo.

Essa coragem moral de abrir mão do lucro, do ganho, do rendimento é a mola que faz a Terra subir na escala dos mundos. Só as almas superiores a possuem. E quando essas almas enfrentam o julgamento louco dos homens para nos darem o exemplo da abnegação, com isso nos mostram a importância do exemplo. Devemos pensar nesses grandes problemas para podermos vencer em nossas pequenas tarefas cotidianas. Abdiquemos da violência, da irritação, do autoritarismo e da arrogância se quisermos realmente educar, se desejarmos de fato ser pais e mestres.

A educação cristã

A Educação Cristã reformou o mundo, mas os homens a complicaram e deturparam. A consciência do pecado pesou mais nas almas do que a consciência da libertação em Cristo. Tomás de Aquino ensinou: mães, os vossos filhos são cavalos! Educar transformou-se em domar, domesticar, subjugar. A repressão gerou a revolta e reconduziu o mundo ao ateísmo e ao materialismo, à loucura do sensualismo. A Educação Espírita é a Renascença da Pedagogia Cristã. É nela que o exemplo e o ensino do Cristo renascem na Terra em sua pureza primitiva.

Precisamos reformar os nossos conceitos de educação à luz dos princípios espíritas e dos grandes exemplos históricos. Dizia uma grande figura espiritualista inglesa, Annie Besant, que cada criança e cada adolescente representam planos de Deus encarnados na Terra e endereçados ao futuro. Aprendemos a respeitar essas mensagens divinas. Lembremo-nos de nossa própria infância e se por acaso verificamos que nossa mensagem se perdeu ao longo da existência, que nosso plano divino foi prejudicado pelos homens, pelos maus exemplos e pelos ensinos falsos, juremos perante o nosso coração que havemos de evitar esse prejuízo para as novas gerações.

Pais, sejamos mestres! Mestres, sejamos pais! Que cada rostinho de criança aberto à nossa frente, como uma flor que desabrocha, nos desperte no coração o melhor de nós mesmos, o impulso do amor. Que cada adolescente, na sua inquietude e na sua irreverência - jovem ego que se afirma pela oposição ao mundo - não provoque a nossa compreensão e a nossa ternura. Para domar o potro precisamos de sela e das esporas, mas para educar o jovem só necessitamos de amor. A Educação Espírita como no lar como uma fonte oculta e deve ganhar a planície como um rio tranqüilo em busca do mar .

(Extraído do livro Pedagogia Espírita, de J. Herculano Pires, Edicel 1985)

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