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Ano 6 ▪ Nº 295 ▪ De 5 a 11 de novembro de 2017

Na Era do Espírito
Editor: Celso da Costa Frauches – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Ano 6 ▪ Nº 295 ▪ De 5 a 11 de novembro de 2017

Na Era do Espírito é um espaço virtual para mensagens destinadas à educação dos sentimentos e emoções do Espírito, ser imortal, criado à imagem e semelhança de Deus – “inteligência suprema, causa de todas as coisas”.

Lutero: um homem à frente de seu tempo

Pastor Elton Pothin
(da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil - IECLB)

lutero blog295 2017 Usei esta expressão no título desta reflexão porque muito do que temos hoje como prática e conceito normal da vida já foi defendido por Lutero muito antes da Revolução Francesa, que ocorreu somente de 1789 a 1799 e que inaugurou o mundo moderno com seu lema LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE. Lembro que, no dia 26 de agosto de 1789, a Assembleia Nacional Constituinte francesa proclamou a “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”, cujos principais pontos eram:

• O respeito pela dignidade das pessoas
• Liberdade e igualdade dos cidadãos perante a lei
• Direito à propriedade individual
• Direito de resistência à opressão política
• Liberdade de pensamento e opinião

Ora, muitos desses princípios já eram defendidos por Lutero nos idos de 1517! Vejamos alguns exemplos:
A LIBERDADE DE PENSAMENTO E OPINIÃO é um deles. Para nós, expressar livremente nosso pensamento e opinião é algo comum. Há até exageros! Citando principalmente a crise política em que vivemos, onde não se usam mais argumentos reais e fatos para contestar a classe política, mas se passou à baixaria, insultando e ofendendo as pessoas.
Na época de Lutero não era assim. Quem detinha a palavra era o império e o clero! Contestação não cabia! Os que contestavam eram perseguidos – lembramos do tribunal religioso do Santo Ofício, mais conhecido por nós como SANTA INQUISIÇÃO, que mandou para a fogueira milhares de pessoas que eram consideradas hereges (praticante de heresias; doutrinas ou práticas contrárias ao que é definido pela Igreja Católica) por praticarem atos considerados bruxaria, ou simplesmente por terem opinião diferente da Igreja ou por serem praticantes de outra religião que não o catolicismo.
E Lutero foi ousado e corajoso, um homem à frente de seu tempo, ao questionar a comercialização da graça, do perdão de Deus pelas indulgências – prática exercida pela Santa Madre Igreja onde se conseguia comprar o perdão divino para obter a redução dos anos de pena do purgatório tanto para si mesmo como para parentes já falecidos. Famosa ficou a frase do padre dominicano vendedor de indulgências, João Tetzel: “No momento em que a moeda tinir na caixa, a alma salta do purgatório para o céu.” Lutero protestou dizendo:
- “Vã e inútil é a confiança da salvação conferida pelas cartas de indulgências, mesmo que o comissário ou até mesmo o próprio papa dessem sua alma como garantia das mesmas”.
E Lutero aconselha aos cristãos:
- “Deve-se ensinar aos cristãos que, dando ao pobre ou emprestando ao necessitado, procedem melhor do que se comprassem indulgências”.
Quando foi convocado a negar suas afirmações numa Dieta convocada para a cidade de Worms, ele se declarou prisioneiro de sua consciência e disse que não poderia negar o que havia dito e escrito, a não ser que fosse convencido por argumentos claros baseados na Sagrada Escritura:
“Já que vossa Majestade e vossas excelências desejam uma resposta breve, vou responder-vos sem quaisquer chifres e dentes: Se não for convencido por meio do testemunho das Escrituras e por argumentos absolutamente racionais, então, em vista das passagens das Sagradas Escrituras, eu me sinto dominado pela minha consciência e prisioneiro da Palavra de Deus. Por isso mesmo, não posso e não quero renegar nada. Deus me ajude. Amém”.
Assim, defendeu a “liberdade de pensamento e opinião” diante de um poder absolutista! – o que seria, como disse, trazido como um dos pontos principais do direito do cidadão moderno após a Revolução Francesa!
Outro aspecto no qual Lutero pode ser considerado um homem à frente do seu tempo é no aspecto da EDUCAÇÃO. Hoje, é lei todos irem à escola. Pais inclusive são punidos por não levarem seus filhos à escola.
Na época de Lutero isso não era assim. O letramento (ou alfabetização) universal é parte integrante da vida para nós que vivemos no ocidente moderno. Na época de Lutero, poucas pessoas iam à escola e a maioria das pessoas não sabia ler. Os filhos deviam ajudar os pais nos trabalhos na lavoura e em casa, não perder tempo precioso indo à escola. Quem tinha acesso à educação eram os nobres e o clero. A população em geral não estudava.
Escola pública e gratuita é algo de que nem se falava. Os filhos irem à escola todos os dias era algo que os pais não queriam.
Aquilo que hoje conhecemos por letramento universal é um fenômeno moderno que só surgiu na Revolução Industrial (a partir de 1860). Foi apenas quando as nações viram o benefício econômico que iria trazer o fato de todos saberem ler e escrever é que se decidiu investir recursos maciços na alfabetização básica.
No entanto, Lutero já havia escrito sobre a necessidade de educação básica para todas as pessoas.
Em sua “carta aos prefeitos e conselheiros das cidades alemãs”, de 1530, Lutero dirige um apelo às autoridades municipais para que organizem e mantenham escolas, e aos pais que levem seus filhos à escola. No seu prefácio ao Catecismo Menor, Lutero escreve: “Aqui também deves insistir particularmente com as autoridades e os pais, para que governem bem e levem os filhos à escola, mostrando-lhes porque é sua obrigação fazê-lo e que pecado maldito cometem se não o fazem. Pois com isso derrubam e assolam tanto o reino de Deus como o reino do mundo, como os piores inimigos de Deus e dos homens”.
Lutero também considerava a escola um instrumento precioso para organizar uma sociedade de pessoas livres. Dizia Lutero: “Diariamente nascem crianças e crescem desordenadamente, mas não há quem se dedique à juventude e lhe dê formação.“o diabo se utiliza da ignorância do povo e do descaso do governo para destruir a juventude com a crença em ídolos e falsos deuses. Por isso, Lutero dizia que “ao lado de cada igreja seja construída uma escola”.  Lutero pede às autoridades municipais para que mantenham escolas e aos pais para que levem seus filhos à escola. Aos prefeitos da época, Lutero escreve: “se alguém der um ducado para a guerra contra os turcos, seria justo que se doassem cem ducados para a educação”.
Em seu escrito “Aos conselhos de todas as cidades da Alemanha, para que criem e mantenham escolas cristãs”, de 1824, Lutero escreve: “Por isso certamente será da competência do conselho e das autoridades dedicarem o maior cuidado e o máximo empenho à juventude. A eles, como curadores, foram confiados os bens, a honra, corpo e vida de toda a cidade. Portanto não agiriam responsavelmente perante Deus e o mundo se não buscassem, com todos os meio, dia e noite, o progresso e o melhoramento da cidade. Agora, o progresso de uma cidade não depende apenas do acúmulo de grandes tesouros, da construção de muros de fortificação, de casas bonitas, de muitos canhões e da fabricação de muitas armaduras. Muito antes, o melhor e mais rico progresso para uma cidade é quando possui muitos homens bem instruídos, muitos cidadãos ajuizados, honestos e bem-educados”.
Assim, vemos em Lutero um precursor da alfabetização universal, sendo que coloca esta alfabetização como responsabilidade do poder público, como hoje o concebemos. Já há cerca de 300 anos antes da revolução industrial, este homem chamado Martin Lutero colocou as ideias para aquilo que viria se tornar realidade no ocidente após a revolução industrial.
Realmente, Lutero foi um homem à frente do seu tempo!
Outro aspecto importante nas ideias de Lutero foi o motivo pelo qual ele defendia que todos deveriam ir à escola era que Lutero queria que todos soubessem ler e escrever para poderem entender a Bíblia. Algo revolucionário para a época, pois a própria Igreja proibia que leigos lessem a Bíblia! Mais um aspecto em que Martin Lutero foi um homem à frente do seu tempo!
Um dos pilares da Reforma foi justamente a defesa da Bíblia como única norma de vida do cristão. Uma das preocupações de Lutero era com a leitura da Bíblia por todas as pessoas. Considerava que todos deveriam ter a Bíblia em casa e que todos deveriam ler a Bíblia. Lutero dizia: “A Escritura é uma ervinha. Quanto mais a trituras, mais perfume ela solta”. Por isso, traduziu a Bíblia para o alemão, para que todos pudessem ter acesso à sua leitura. Dizia Lutero que a Bíblia pode ser entendida por todos, pois o “Espírito Santo é o escritor mais simples que existe”.
Para nós, cristãos do século XXI, ler a Bíblia e ter acesso á Bíblia é algo natural que não nos causa estranheza. Todos nós temos a Bíblia em casa, todos nós lemos e estudamos a Bíblia. Bíblias podem ser compradas em dúzia nas mais diversas traduções e línguas.
Mas não foi assim na época de Lutero. Esta preocupação de Lutero com a leitura da Bíblia causou uma violenta reação da igreja em Roma, pois havia, por parte da Igreja de Roma, uma preocupação constante com a propagação do Evangelho, com o conhecimento da Palavra de Deus, com a tradução da Bíblia em outras línguas. Mas preocupação no sentido de PROIBIR isto. Pelo fato de um católico passar a ler as escrituras, o tornava sujeito a ser considerado um herege e, como tal, ser excomungado e levado à fogueira. A Bíblia era, assim, considerada um obstáculo às pretensões da Igreja de Roma, de colocar todos os povos sob seus domínios.
Várias foram as medidas tomadas pelos líderes da Igreja para impedir que a leitura da Bíblia se propagasse:
Em 1229, o concílio de Toulouse, na França, determinou: “Proibimos os leigos de possuírem o Velho e o Novo Testamento... Proibimos ainda mais severamente que estes livros sejam possuídos no vernáculo popular. As casas, os mais humildes lugares de esconderijo, e mesmo os retiros subterrâneos de homens condenados por possuírem as Escrituras devem ser inteiramente destruídos. Tais homens devem ser perseguidos e caçados nas florestas e cavernas, e qualquer que os abrigas será severamente punido”.
• Ainda vários séculos depois, em 1866, o Papa Pio IX, em sua encíclica “Quanta cura”, emitiu uma lista de perigos e entidades a serem destruídas. Entre estas entidades estavam as SOCIEDADES BÍBLICAS – “pestes estas devem ser destruídas através de todo os meios possíveis”.
Assim, podemos entender que defender a propagação da Bíblia e a leitura da Bíblia por todas as pessoas era algo revolucionário para a época de Lutero.
Para Martin Lutero, a Bíblia, e somente a Bíblia, deveria ser a norma de fé da vida do cristão. Só a Bíblia tem a verdade da salvação. Ela é porta-voz da Palavra de Deus. No tempo de Lutero, além de proibir a leitura da Bíblia, a Igreja Católica Romana havia colocado duas fontes para a revelação da vontade de Deus: a Bíblia e a tradição da Igreja (decisões de Concílios e dos papas). Lutero protestou contra isto, colocando a Bíblia, e somente a Bíblia como norma e orientação da vida do cristão. Dizia Lutero: “Contra todos os ditos dos Pais da igreja, contra a arte e a palavra de todos os anjos, seres humanos e diabo, levanto a Escritura e o Evangelho. Aí estou, aí me vanglorio do Evangelho: A Palavra de Deus me é superior a tudo”.
Hoje, achamos isso normal, pois em 2016 a Bíblia está traduzida para 2.935 diferentes línguas no mundo (existem cerca de 7 mil línguas no mundo) e, para o português, existem pelo menos 17 traduções diferentes!

(Uma celebração dos 500 da Reforma Protestante, na personalidade do monge Martinho Lutero ou Martin Luther (1483/1546), um missionário a serviço do Cristianismo. Texto do pastor luterano Elton Pothin, disponível em:
http://www.luteranos.com.br/textos/sudeste/lutero-um-homem-a-frente-de-seu-tempo)

Periódico

Revista Internacional de Espiritismo (RIE). Ano XCII, nº 9, Matão-SP: O Clarim, outubro de 2017.

A matéria de capa – A menina índigo: uma reflexão necessária sobre educação – tem a assinatura de Cássio Leonardo Carrara, entrevistando Wagner de Assis, diretor da Cinética Filmes, que está lançando o filme A Menina Índigo, matéria polêmica no meio espírita. Missionário é o título do editorial. A RIE publica, ainda, os seguintes artigos: Prece: padrão ou coração?, de Cássio Leonardo Carrara; 1804: o ano de renascimento de Allan Kardec, de Rogério Miguez; A gratuidade do bem, de Maroísa F. Pellegrini Baio; Religião e homossexualidade, de Ailton Gonçalves de Carvalho; Um novo princípio de higiene, de Rogério Coelho; Cristianismo: esperança sublime, de Maria de la Concepcion Parada; Quem escolhe as nossas doenças?, de José Luiz Condotta; O progresso roça os calcanhares humanos, de Cláudio Bueno da Silva; Cristianismo, Espiritismo e o Anticristo, de Antonio Cesar Perri de Carvalho; Ideia mestre, de Cairbar Schutel; Gratidão pelo serviço, de Octávio Caúmo Serrano; A corrente do bem, de Jaime Facioli; Desafios da casa espírita na atualidade, de José Passini; Confiança e trabalho, de Leda Maria Flaborea; Paciência em ti, de Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante; Reencarnação: via para a lucidez, de Roberto Vilmar Quaresma; Somos todos divinos, Octávio Caúmo Serrano; Crianças invisíveis, de Martha Rios Guimarães; Alucinações, de Richard Simonetti. A RIE divulga, em generoso espaço, noticiário sobre o movimento espírita.

Mensagem da semana

Os que amam profundamente, jamais envelhecem; podem morrer de velhice, mas morrem jovens. O amor é a imagem de Deus, mas não uma imagem da vida. É, isto sim, a verdadeira essência de toda a natureza divina – Martinho Lutero.

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